SOA: Sem Objetivo Altruísta?

August 12, 2008

Há mais ou menos um ano, na empresa onde trabalho, teve início esforços para a adoção de uma arquitetura SOA.

Uma consultoria renomada intercionacionalmente foi contratada para realizar as primeiras análises. Foram realizadas entrevistas e reuniões com o pessoal que melhor apontasse o cenário atual da empresa relacionada ao desenvolvimento de software: qual o tamanho dos projetos, como é feito o controle de versão, se existe uma arquitetura corporativa, se existe serviços corporativos, qual o grau de reúso, se há padrões de nomenclatura, etc. Análises pertinentes ao processo de implantação, suporte e produção também foram levantadas.

Feito isso, elaborou-se um plano de ação que identifica o atual estágio e qual é o desejado, e como isso será atingido. Para tanto criou-se um planejamento estratégico que guiará o caminho. Passos importantes já foram dados: a escolha de um modelo para o Comitê Gestor SOA e sua criação, contratação de pessoal qualificado e levantamento dos projetos candidatos a fazer uso dessa arquitetura.

Visto isso, não há dúvidas que exista um patrocínio do alto escalão, o que é muito positivo já que uma mudança como essas envolve toda a organização.

Seguindo o planejamento, uma das fases é a disseminação dessas ações à todos os envolvidos diretamente, que até então não haviam participado dessas discussões. Isso ocorreu através de uma palestra.

Iniciou-se com conceitos básicos para tomar conhecimento sobre SOA, apresentando os seus inúmeros benefícios. Prosseguiu-se daí chavões como reúso, ativos de software, arquiteturas flexíveis, interoperabilidade, chavões ditas “a baciada”. Sem mencionar BPEL, BPM, orquestração de serviços…

Éramos apresentados a uma nova “Bala de Prata”, incluso seu Tookit: ferramentas para gerenciamento de serviços, monitoramento, versionamento, roteamento e outra$. Além da tão e velha conhecida promessa na qual a pessoa de Negócios desenha o processo (arrastando caixinhas), e o desenvolvedor num piscar de olhos gera uma nova funcionalidade.

É importante dizer que SOA pode ser vista como uma escolha arquitetural que visa a criação e reutilização de Serviços consequentemente obtendo redução de custos, maior qualidade de software, maior produtividade, enfim, um meio inteligente de criar sistemas em nível corporativo. É uma decisão isenta da adoção de novas ferramentas.

Daí a bronca com tal apresentação. Esperava-se que as análises, entrevistas e reuniões levantassem quais são as maiores dificuldades existentes hoje. Se é baixa qualidade, se há alto índice de manutenção, se os projetos atrasam, se os usuários estão insatisfeitos, ou seja, que fossem apontados os porquês da empresa deixar de atingir resultados ainda melhores.

Feito isso, dizer como a adoção de uma arquitetura SOA traria benefícios, ou seja, faltou mencionar um dos seus principais objetivos: o alinhamento de TI com o Negócio.

Espero que apenas a apresentação tenha seguido tal caminho, senão seremos vítimas de mais uma moda tecnológica que tem fim em si mesma.

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